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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Rupestres Sonoros

Assisti no último final de semana a um show singular. Eu digo isso porque ele me levou a reafirmar intimamente algo que eu já tinha plena convicção; o Brasil é musical por excelência.

Essa característica do nosso país é tão marcante, que para mim é impensável compreender grande parte da nossa história sem levar em conta as manifestações musicais. Dei-me conta disso inconscientemente ao ouvir as músicas que preenchiam as manhãs e tardes da minha infância; e conscientemente quando, ainda na faculdade, lendo a bibliografia necessária para minha monografia – que tratava das pinturas rupestres dos povos que habitaram o Brasil durante a nossa pré-história –, descobri que o homem americano há alguns milhares de anos era tão preocupado em reproduzir seu imaginário através de sons, que chegou a criar instrumentos que o capacitassem para essa tarefa – é o que nos diz as pesquisas que tratam do assunto, sugerindo a confecção de uma flauta feita com osso, além de alguns tambores; e também a dança, explicitamente representada nas pinturas que cobrem as paredes dos sítios arqueológicos do Brasil.

Depois disso, na primeira metade do século XVI, com a chegada dos primeiros africanos, nosso país inicia uma fusão musical tão espetacular que eu a encaro como um acontecimento mágico dentro de uma história muitas vezes trágica. O mundo hoje classifica essa música como fusion, brasilian jazz ou world music. Os músicos brasileiros preferem chamá-la, acertadamente, de música brasileira. Afinal, o fusion é a nossa característica cultural particular. Somos musicalmente indígenas, europeus, africanos, mouros, orientais...

E o Mawaca, o grupo que vi nesse final de semana, traduz genialmente tudo isso. Assisti-lo foi o mesmo que materializar diante dos meus olhos todas as minhas convicções sobre o que é o Brasil musicalmente: pré-história, colônia, império, imigração e, por fim, magia.

O show chama-se Rupestres Sonoros – O Canto dos Povos da Floresta. O nome já dialoga comigo de maneira muito pessoal, é familiar demais. Quando vi no telão imagens da Pedra Furada – PI, fui arrebatado para o Brasil que nem a expedição de Cabral conheceu.

Visitem o site do Mawaca. Lá é possível baixar algumas músicas.







quarta-feira, 3 de junho de 2009

Os Falsários

O nazismo e o holocausto foram temas de aulas recentes no 9º ano. Indiquei alguns filmes e comentei com os alunos a quantidade de produções cinematográficas que abordam esse momento da História Mundial. E quando pensamos que o tema já havia sido explorado de todas as maneiras, relatando e documentando todos os acontecimentos envolvendo o genocídio ao qual os judeus foram submetidos, surge na telona mais um filme sobre o mesmo assunto. Trata-se de Os Falsários, filme austríaco, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2008. Para mais detalhes, clique abaixo no ipod e ouça um podcast sobre o longa metragem que estreou na sexta-feira passada. Boa audição.


segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Fole Roncou

Pessoal,

Divido com vocês o lançamento do meu e-book, pela Mojo. Os interessados podem baixá-lo cadastrando-se no site.



Abraços.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Escola de Rock

Não é de agora que os professores, funcionários e alunos do Colégio 8 de Maio se habituaram a encontrar nos corredores, e demais pavimentos do colégio, os headbangers. É fato: esse pessoalzinho já virou uma tribo que aprendemos a gostar e admirar. Andam pra lá e pra cá chacoalhando a cabeleira, são inquietos e campeões de “air guitar”, modalidade de esporte também adotada pelos pequenos. Usam coturnos que um dia já foram dos pais – o tamanho de alguns deles denuncia –; nos pulsos, não faltam os spikes, braceletes de couro infestados de rebites; no peito, ao invés de crucifixos, ou de um outro balangandã qualquer, carregam com orgulho uma palheta transformada em pingente; em casa, o jogo preferido é o Guitar Hero, e no iPod não entra som emo ou pagode. Quando estão eufóricos, felizes, ou mesmo na boa, batem cabeça e falam mais alto do que deviam; se a música é boa, fazem a mesma coisa, mas, além disso, levantam o braço e mostram os dedos indicador e mindinho eriçados, fazendo o sinal do Mano Cornuto, popularizado pelo ídolo Dio. Assim que tiverem idade – e barba – suficiente, irão realizar o desejo de ter um bigodão igual ao do Paul Teutul, do American Choppers. Esses caras – e minas – são um barato! Já chegaram a realizar uma festa de debutante onde o traje obrigatório foi bandana e jaqueta de couro, no lugar do convencional terno e gravata.
Tanta criatividade e tamanha aptidão musical não poderiam ter resultado em outra coisa: montaram uma banda de rock, o General Ace! Mas, diferente do filme, onde o Dewey Finn ensina a molecada a tocar e gostar de rock, no General Ace, o professor com pinta de regueiro – que na verdade é fã de Brujeria – é o baterista; na sala, o que ele ensina é matemática.

Abaixo estão os links para fazer o download das cinco faixas gravadas pela banda.
Parabéns, galera!

3030
Blameless
We go Down
Democracia
Rock in the Free World

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Rádio e Novela

Lembram-se da primeira aula sobre a Bossa Nova? Conversamos sobre a importância do rádio como veiculo disseminador da música e da informação; falamos sobre as transmissões ao vivo e a dificuldade dos fãs em adquirirem os discos produzidos nos EUA e, quando conversamos sobre os primórdios da carreira do ainda desconhecido João Gilberto, da ausência de rádios em Juazeiro e o monopólio da música na mão do dono de alto-falantes espalhados pela cidade. Lembro-me de ter falado com vocês sobre as novelas produzidas para o rádio, não? Então, a revista Piauí disponibilizou em seu site dois contos do Machado de Assis em formato de novela para rádio.
Confiram em: http://revistapiaui.com.br/download.aspx