quarta-feira, 1 de julho de 2009

Um Novo Mundo

Que o mundo está meio doido nós sabemos, e já faz algum tempo. Não é à toa que as teorias apocalípticas que difundem a idéia de que o mundo vai acabar antes mesmo do Brasil sediar a Copa de 2014 andam tomando corpo e convencendo um número cada vez maior de pessoas. Não são poucos os alunos que me procuram para conversar sobre documentários, matérias de revistas e livros que tratam do assunto. Não são otimistas nem pessimistas, não confessam acreditar ou desacreditar no que leram, viram ou ouviram; apenas demonstram a curiosidade que qualquer um de nós manifesta diante das famigeradas teorias da conspiração ou das sociedades secretas, supostamente responsáveis pelas mesmas.

Eu não acredito que o mundo vai acabar em 2012. Eu acredito que o mundo vai mudar em 2012. Mas essa mudança não tem, no meu ponto de vista, ligação direta com a data. Como acontece no desenrolar da História, não é uma data ou acontecimento que determina qualquer ruptura, mas sim uma série de transformações que se arrastam pelo passar do tempo e que, num dado momento, passam a ser notadas, assimiladas e incorporadas ao cotidiano. Foi assim, por exemplo, com a Revolução Francesa. Não foi a Queda da Bastilha que transformou o mundo e inaugurou a fase da História que chamamos de Contemporânea. Esse acontecimento foi o resultado de um processo anterior, grandioso e complexo, que transformou a maneira como o homem via o mundo, levando-o a se relacionar com ele de uma maneira nunca antes vista. E é um processo como esse que vivemos atualmente, o que aumenta as chances de algo transformador acontecer em 2012, ou 13, ou 14...

A loucura pela qual o mundo passa está desgastando ele de tal maneira, que as chances dele se manter nos moldes atuais é impensável, inviável. O desgaste é tão grande que os cidadãos não toleram mais seus absurdos e sua falta de ética. A mídia, mesmo a vendida, se vê obrigada a denunciar esquemas, atos secretos, falcatruas e pouca vergonha de todo gênero. Ela não pode omitir mais nada, pois se o fizer, os blogs trarão à tona toda a roupa suja que aguarda o dia de ser lavada. O furo de reportagem está no twitter antes mesmo de ir para a pauta dos jornais. Foi assim com o avião que caiu esse ano no Rio Hudson, em Nova York. Segundo os jornais, um jovem que passava pelo local no momento da queda, “twittou” do seu celular uma mensagem informando o acontecido, antecipando-se a qualquer meio de comunicação.

A reincidência da falta de escrúpulo de alguns políticos vem mudando, pouco a pouco, a mentalidade das pessoas, o que gera uma escolha mais criteriosa dos nossos representantes e demais servidores públicos. Maluf, pra citar apenas um nome conhecido por todos nós, já não tem condições de concorrer a grandes cargos públicos; golpes militares, como o que aconteceu recentemente em Honduras, são imediatamente condenados pelo mundo todo, ou seja, a democracia já é reconhecida como uma conquista indiscutível de qualquer cidadão e tornou-se um dever do Estado conduzir os processos democráticos, mesmo no caso de Honduras, onde até que se prove o contrário, o presidente deposto não tinha intenções muito nobres quando pediu uma revisão da Constituição de seu país. Mas ele foi eleito, e isso basta. Essa condenação deve ser comemorada pela comunidade internacional, já que até pouco tempo atrás, bandeiras eram levantadas em sinal de apoio a alguns governos ditatoriais. O Irã também passa por um momento importantíssimo e novo na sua história. O aiatolá – líder supremo que soma poderes político e religioso – passou a ser questionado e o país corre o risco de perder o seu controle para os militares que ocupam muitos cargos políticos. Não é o que a população almeja, mas, sem dúvida, o fim da teocracia é um indicativo de que o Oriente também já não suporta a situação atual. Imagine, quando iríamos assistir os jovens de Teerã deixar a companhia dos mais velhos, na hora em que se reúnem para rezar, e dirigirem-se até as ruas para reivindicar a posse legítima de Mousavi? Superaram o medo do dever religioso não cumprido, para exigir o seu direito democrático. Isso também é motivo para nós, cidadãos do mundo, comemorarmos, não?

Pois é, o que quero dizer é que sou um otimista! O mundo que eu vejo acabar em 2012, ou nos anos seguintes, é o mundo que não deve continuar a existir. E eu tive, recentemente, um exemplo claro disso. Foi quando os alunos do Colégio 8 de Maio organizaram-se e participaram de uma gincana, arrecadaram 6 toneladas de alimento, montaram 300 cestas básicas, entregaram todas elas às quase duzentas famílias do Juquiazinho, no município de Juquitiba, prepararam para as crianças de lá, um belo café da manhã, ensaiaram com o coral da escola e se apresentaram para elas, deram um nó na garganta de nós professores e funcionários do colégio e, mais do que isso, plantaram no coração de todos nós a certeza de que o mundo no futuro será bem melhor.

Aproveitem as férias, vocês merecem!

Um comentário:

Beatriz Bonafé disse...

Sem palavras.

Segundo o Professor Ricardo, o ônibus ficou cheio "Em dez minutos, sem brincadeira". Sabe, dá até orgulho, pois seis toneladas não é pouca coisa. E ainda estávamos correndo o risco de perder a gincana, não ir entregar o alimento, de levar "portas na cara". Em momento algum desistimos. Fizemos algo para pessoas desconhecidas e ficamos alegres só de imaginar um sorriso de uma criança. Idiotice? Talvez para alguns. Para nós, um pouco do que podemos fazer.