
Eu não consegui assistir o filme na última mostra de cinema que aconteceu em São Paulo, no ano passado, mas acompanhei a repercussão positiva e fiquei aguardando sua estréia no circuito aberto. Ontem, depois de 2h06 diante da telona, tive a certeza de que o filme é o melhor produzido sobre o Comandante, e o papel definitivo da carreira de Benicio del Toro. Isso é opinião pessoal, claro.
A classificação indicativa é 12 anos. Independente disso, o filme será mais bem aproveitado por aqueles dispostos a conhecer um personagem com valor histórico indiscutível. Se você pretende assisti-lo como simples entretenimento, talvez seja melhor deixar para depois, não é isso que o filme propõe. Nele é possível ver a evolução, muito bem retratada, de um homem que, na sacada de um apartamento, diz a Fidel seu sonho de libertar Cuba e propagar a revolução por toda a América Latina, antes mesmo de terem homens suficientes para lutarem contra Fulgência Batista. Em Che, nota-se a evolução do idealismo do Ernesto Guevara de Diários de Motocicleta. Agora, nasce o guerrilheiro forte, homem forçado a tomar decisões em meio às situações extremas vividas na Sierra Maestra. Além das etapas da guerrilha, o ponto forte do filme é a reconstrução do discurso onde Che desafia a Assembleia da ONU, ironiza os governantes dos países da América Latina que aceitam as imposições do imperialismo americano e diz que “nossa luta é uma luta à morte”.Se você for ao cinema, não vá embora quando as letrinhas começarem a subir. A música Fusil contra Fusil, que encerra o filme, é de arrepiar.
Abaixo estão dois trailers do filme e um vídeo de Silvio Rodriguez executando a canção Fusil contra Fusil.