domingo, 9 de maio de 2010

O Diário dos Leitores de Anne Frank (2)

Anne Frank devia sentir uma ansiedade tremenda quando, por algum motivo, ficava dias sem escrever em seu diário (ou devemos dizer “escrever para Kitty”?). Eu, depois de ler as páginas combinadas, fiquei ansioso para escrever nesse nosso diário. Acho que isso faz parte dos mistérios que envolvem os diários, a magia por trás do hábito de registrar os acontecimentos relevantes, ou não, dos dias que compõem nossas vidas.

Eu nunca tive um diário. Na infância, pensava que era algo reservado às meninas. Com o passar do tempo, descobri que não. Muitos homens mantêm diários, e eles podem ser de muitos tipos: de relatos de viajantes a cadernos de ideias. E você, tem ou já teve um diário? Eu não espero que você conte para nós aquilo que escreve nele, mas a experiência de escrevê-lo pode ser dividida com o grupo, caso você queira, é claro.

Quando os blogs começaram a se popularizar, os jornais os definiam como diários on-line. Mas depois que eles passaram a ter suas próprias características, deixaram de fazer tal comparação. Por que será que a maioria das pessoas que possui blogs não escreve neles como se escrevesse em diários, confidenciando particularidades de suas vidas? Será que o prazer de se escrever em um diário é usá-lo para aquilo que Anne registrou em 12 de junho de 1942 (“espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda.”)? Talvez seja. Escrever um diário pode ser colocar em prática o “conhece-te a ti mesmo” do Sócrates, ou simplesmente uma válvula de escape para tudo aquilo que nos angustia, ou, quem sabe, os diários são objetos para serem descobertos na posteridade. Uma espécie de segredo do presente que só poderá ser revelado no futuro, como uma cápsula do tempo. O que vocês acham? Gostaria de saber a opinião de vocês sobre isso.

Penso que no caso de Anne Frank, serviu para todas essas coisas. Ela passou a escrever num momento de angústia, não só pela condição imposta pelos alemães a partir de 1933, ano em que Hitler assume o poder na Alemanha, mas por sentir a falta de uma amizade verdadeira – ausência essa, que vai fazer com que ela passe a tratar o diário como Kitty, a amiga que desejava ter na realidade. O seu diário também é uma cápsula do tempo, capaz de nos colocar em contato com outro tempo histórico. Vocês também tiveram essa impressão? Eu senti isso quando ela descreve as proibições impostas aos judeus. Imaginem, não poder frequentar o próprio jardim de casa durante a noite, ou ser impedido de dirigir seu próprio automóvel!

Outra coisa que chamou a minha atenção foi a preocupação de Anne com os parentes que continuavam na Alemanha e os pogroms de 1938, que motivaram a fuga dos tios e, posteriormente, da avó. Entender os pogroms é importante para compreender o antissemitismo. Você já ouviu falar deles? Caso não tenha ouvido ou lido algo a respeito, podemos conversar no decorrer da semana, assim não esticamos demais esse post, tudo bem?

Como essa semana está mais tranquila, que tal lermos mais algumas páginas? Eu imagino que todos estejam curiosos para saber como Anne vai para o “Anexo Secreto”, por isso, vamos ler julho, agosto e setembro de 1942?

Espero que a leitura esteja sendo tão agradável para vocês como tem sido para mim.

Um ótimo domingo para todos. Não esqueçam de agradecer as mães pelo livro. Por TODO o restante, eu sei que vocês não vão esquecer.

P.S. Adorei quando Anne Frank escreveu que levou biscoitos para os professores. Se tiver alguém no grupo com o mesmo talento culinário da jovem Anne, será um prazer experimentar os cookies.

12 comentários:

Marcial disse...

- A Leitura esta sendo muito agradável, Uma das partes que me chamou atenção, e achei irônico ''suponho
Que, mais tarde, nem eu nem ninguém achará interesse
Nos desabafos de uma rapariga de treze anos'' Que Ironia, Não?Aqui estamos discutindo o Mesmo.
É interessante o saber oque se passa na cabeça das pessoas da época do Hitler...
Por fim acabo de ler o mês de Junho.
Ah! Cookies ‘’ hahaha’’ Também aceito Doações...hehe
, Abraços Ótima Semana. Amigos e Amigas.
Marcial.

Doppel'. disse...

A sociedade determinou a questão dos diários não é mesmo? Só para garotas, com uma cor que diz "olha eu estou aqui" e um pequenino cadeado para uma pequenina chave que por sua vez diz "eu sou facilmente destrancado por um clips". Lembro-me de inúmeras vezes com meus primos fazer investidas ferozes contra o clubinho da luluzinha do bairro para pegar o seus diários, e ler suas confissões para saber com quem queriam se enroscar. Sai do assunto, malz. Descobri que a minha versão não contém muitas das informações que uma edição completa deve ter ¬¬ então estarei sempre comparando com uma que tenho em PDF. Ao ler o prefácio da uma real sensação de "cápsula do tempo" como o professor Carlos falou, e eu acho que a própria Anne foi forçada a uma cápsula do tempo, ela teve de amadurecer e encarar muitas coisas enquanto jovem! e até então não tinha percebido que "rebuçado" era um cookie. Bom, desculpe-me por ser enfadonho e escrever errado!
--
Visite: Radio Boêmia e Casa do Pedrinho

Doppel'. disse...

Ahhh, descobri que não tinha lido Junho, mas não foi um grande problema, agora esta lido. É muito legal, notar os costumes da época, o tradicionalismo do século passado, A avó do Goldberg, mandando na vida dele, e como os jovens ele é rebelde :D
Anne-Mas os teus avós não estão de acordo. Não deves
fazer isso às escondidas.
Harry-No amor ninguém manda."

Carlos Assis disse...

Oi, Marcial!

Isso também chamou a minha atenção. Acho que nunca passou pela cabeça da Anne que o seu diário seria lido por tantas pessoas.
Pois é, aqui estamos, discutindo o diário dela.
Achei interessante que quando você citou o trecho do livro, usou a palavra "rapariga". Na minha versão está escrito "jovem". Será que você está lendo uma versão portuguesa? Eles usam bastante a palavra rapariga para se dirigirem às jovens.

Um abraço.

---------------------------

Oi, Victor!

Hahaha! Tá bom, eu assumo. Já tentei ler o diário da minha irmã, quando era criança. Mas não fui tão engenhoso a ponto de tentar usar um clips.
Sobre as capas dos diários, concordo com você, não agradavam muito os meninos. Muitas delas eram rosas, e alguns diários tinham formato de coração, como o da minha irmã.

Rebuçado? Está escrito dessa maneira na versão em inglês? Na minha está apenas "biscoitos".

Fique atento aos meses, para acompanhar a mesma leitura do grupo.

Um abraço e até mais.

matheus leitao disse...

De mais !!!!!

Esta muito legal!Estou adorando...
a parte que mais me chamou a atenção foi a parte em que ela fala sobre o que os Judeus não podiam fazer,e ela estava naquele momento.
LEGAL...

Elisama disse...

E na segunda feira, assim como com as frutas, o professor Carlos estará rodeado de cookies rsrsrs e com muitos companheiros para fazer a partilha!

Além de prazeroso é absolutamente mágico mergulhar em um mundo particular e um tanto conotativo. Confesso que quando mais nova tentei começar alguns diários, mas não mantive disciplina suficiente para seguir adiante, então me contentei apenas com agenda mesmo, talvez por, assim como Anne, pensar que poucos se importariam com anotações de uma simples adolescente, porém, hoje, quando pego minhas pequenas anotações nas agendas velhas, sou capaz de passar horas relembrando cada papel de bala ganhado, cada anotação pouco descritiva (pois enfim o espaço diário de uma agenda é limitado) e assim posso fazer um paralelo com o pensamento de Anne, que na época, como eu, não fazia idéia de quão importante é colocar em palavras trechos de nossas vivências, já que hoje estamos aqui a discustir o que ela achou, pelo menos nesse início, banal.

Quase quebrei o combinado e prossegui com a leitura, mas consegui me manter firme rs.


Boa semana á todos! e até mais.

Anônimo disse...

Sor, primeramente... Que cara de pau, pedir bicoitos! rsrsrsrs
Que tal uma tradicional maça? rsrsrsrs
Eu como menina... Já ganhei alguns diários como presente, e até tentei escrever, mas não conseguia escrever todos os dias, até tenho um com acontecimentos de quando tinha uns 7 anos e é muito gostoso ler aquelas poucas páginas, coisas que hoje já teria me esquecido... Mas sempre tive medo de alguém ver, e acabei desistindo de escrever, mas a muito tempo penso em criar um blog e escrever sobre coisas do meu cotidiano talvez elogiando, criticando, dando sugestões etc. Mas por falta de tempo nunca consegui... mas um dia eu começo!!!
Bom, eu li junho de 1942, achei um pouco monótono no começo, mas é muito legal conhecer detalhes que estavam diante dos olhos das pessoas daquela época, e algo que me impressionou é que pensava que antigamente, as meninas na adolescência não falavam sobre garotos, seu lado sensual ou que eram paqueradas, por exemplo... Achava que era algo muito censurado até mesmo em seus pensamentos, mas vi que não...
Uma coisa que não entendi, é quando ela descreve os amigos, porque alguns nomes são abreviados?
Bom, estou gostando do livro, mas pra confessar... Não resisti e li julho também, simplesmente incrível descobrir o cotidiano e pensamentos das jovens de uma outra época, mas até hoje as vezes as coisas continuam iguais.

Ah, uma vez li uma reportagem no jornal sobre o livro, e lembro que tinha um comentário dizendo que como Anne Frank tinha um conhecimento, uma didática, um estilo de escrever muito além para sua idade, e isso é verdade, devia ser ótima nas aulas de Português, e acho que talvez seria uma grande escritora! Pena que sua vida foi interrompida tão jovem, mas mesmo assim deixou uma grande obra!
Nossa, acho que já escrevi demais, Boa noite!
Um beijo a todos!

Júlia Audujas Pereira

DonaKbca disse...

Algumas coisas me chamaram muito a atenção nessas primeiras páginas. Mas a primeira coisa foi a data de aniversário dela, aqui no Brasil dia 12/06 é dia dos namorados, e um dia antes do meu aniversário, por isso jamais esquecerei a data que Anne nasceu.

As proibições impostas aos judeus também é um fato que chama muita atençao, e imagino o quanto era penoso aos judeus viverem desta forma.

Tive uma imensa vontade de proceguir na leitura, mas combinado é combinado.

Quanto aos diários, quando eu era adolescente fiz vários diários, escrevia religiosamente todos os dias, só que existe um porém, eu escrevia em código. Meus códigos eram desenhos e letras invertidas, símbolos geométricos, enfim, hoje quando vejo esses diários não consigo decifrar nada o q está escrito, fico frustrada com isso, minhas lembranças não podem ser recordadas por causa disso.

Boa semana a todos, e com boa leitura é claro.

Carlos Assis disse...

Olá, pessoal!

Muito legal as histórias sobre os diários! Algumas delas me fizeram lembrar das agendas que as meninas tinham nas décadas de 80 e 90. Eram enormes, como a da minha irmã, onde ela colava de tudo. De tão cheia, mal fechava, formando um ângulo de 90º.

Júlia, os nomes estão abreviados porque algumas pessoas citadas por Anne não aceitaram ter seus nomes revelados – note que são aquelas pessoas depreciadas por ela. Isso está explicado no prefácio da nossa edição.

Um abraço a todos.

Giovana disse...

Professor:consegui o livro,ja começei a ler,estou adorando o livro sem duvida[começo a ler e um dois dias e sigo mais adiante],outra coisa pretendo ler ate setembro antes do domingo chegar.
Vou continuar a ler e postar as melhores´partes e comentalas.
Ate a proxima vez!

laavinia h disse...

Professor realmente o livro esta muito interessante ... estou gostando muito , e pelo jeito o Windson tbm , porq ele nao larga meu livro . eu ja estou la na frente do livro e estou adorando . Achei bem interessante Anne comentar no livro algumas cois que os judeos eram proibidos , mas estou achando o livro meio triste .


ps : Sobre os cookies eu e a Vitoria C ( que por acaso esta ao meu lado ) talvez iremos fazer uma surpresinha para vc .

Até a proxima .

Carlos Assis disse...

Oi, Giovana!

Você conseguiu acompanhar o grupo? Estou aguardando os seus comentários.

Oi, Lavínia e Vitória!

Hummm, já estou sentindo o cheiro da fornada de cookies... :o)